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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Miguel Arcanjo Alfredo: Um viajante solitário

Chegou num momento que disse para si mesmo que voltaria para o Brasil. Em 2001, resolveu abrir uma cafeteria em Chapecó: o Café Brasiliano. Um café alternativo, porém rentável, que se fez com muita persistência e relação de fidelidade com os clientes.

Portoalegrense de berço, nascido em 25 de novembro de 1968, Miguel Arcanjo Alfredo não se sente gaúcho. Com seis anos, foi morar em Imbituba (SC) – talvez sua grande primeira viagem – há 90 km de Florianópolis. Sua cultura é imbitubense. “Eu me considero manezinho, não da ilha, mas de Imbituba”.
Morou também em Porto Alegre e em Joinville, mas o embrião do Café Brasiliano se formou no imaginário de Miguel quando ele foi para Florianópolis. Trabalhava, e estudava Engenharia de Produção na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). “Lá foi onde eu convivi com o universo de pessoas diferentes, pessoas de fora, pessoas que viajavam.” Daí, nasceu uma grande vontade.
Em 1994, fez uma viagem para o sul da América, Uruguai, Argentina e Chile. Bem no estilo mochileiro. Depois dessa viagem, gostou tanto que resolveu fazer outra. Trancou a matrícula e planejou uma nova viagem para o Peru e Bolívia. Falava portunhol, mas a estrada o ensinou, mais do que qualquer curso.
Depois disso, foi para Miami, Flórida, nos EUA, pelo período de nove meses. Trabalhou com gastronomia: restaurantes e cafeterias. Estudou inglês gratuitamente. Enquanto não estava trabalhando, estava se dedicando às aulas de inglês. Nesse meio tempo, passou um tempo pela Jamaica. Quando achou que seu inglês estava bom o suficiente, partiu em seguida para São Francisco, Califórnia, onde também trabalhou com gastronomia. “É uma área fácil de trabalhar quando se é um imigrante. Meu interesse era aprender inglês e viajar, mas eu precisava trabalhar”.
Trabalhou em uma empresa em São Francisco, de importação e exportação de móveis. Viajava e fazia feiras através da empresa. Conheceu muitos lugares dentro do país, inclusive New York. “Na época, esse era o meu fascínio: viajar”. Passou também pelo Havaí, surfando. “Em Imbituba eu era surfista. No Havaí, também surfei. Andei com carro alugado durante um mês e dormindo em barraca – a melhor opção que encontrei para dar a volta na ilha, sem me limitar aos hotéis.”
Dos 25 anos aos 30, foi uma espécie de viajante solitário. Para abraçar os seus intentos, abdicou dos estudos, já que, após trancar a faculdade, poderia ficar apenas dois anos longe da sala de aula. Ficou cinco, não voltou aos estudos, mas não se arrepende. A vivência de quatro anos no campus, leva na memória como preciosidade. Sem contar os anos de estrada, guardados em centenas de fotografias que enfeitam seu baú de lembranças.Chegou num momento que disse para si mesmo que voltaria para o Brasil. Em 2001, resolveu abrir uma cafeteria em Chapecó. “Uma cidade menor, menos competitiva, com invernos mais frios” – fator positivo, pois a intenção era mesmo trabalhar com café e não com sucos e outras bebidas do gênero.
O primeiro endereço, foi embaixo de um sobrado, na Barão do Rio Branco. Miguel e a esposa, Carla Sampaio Alfredo, ficaram lá por cinco anos, até inaugurarem o novo endereço, na Marechal Bormann, no Centro Comercial Chapecó, onde estão há quatro anos.
O Café Brasiliano é um ambiente de sabor e magia, que tem um pouco dos lugares pelos quais Miguel passou e principalmente a cultura do litoral catarinense, carregada de fragmentos açorianos e portugueses, presente na madeira das mesas, no artesanato em mosaico e nos suvenires dispostos nos espaços do café. Para o casal, os clientes são como uma família. “Recebemos eles como se aqui fosse a nossa casa. E é a nossa casa.”, conta Carla.
Um lugar não somente de cafés especiais, vinhos e livros, mas de abertura para apresentações de artistas chapecoenses. Shows e recitais de poesia são comuns no Café Brasiliano. “A minha clientela é envolvida com a arte. Pegamos opiniões dos clientes e selecionamos o que achamos interessante e bom e abrimos espaço para fomentar a cultura. É bom para eles e bom para o Café, pois divulgamos o lugar.”
Café alternativo, porém rentável, que se fez com muita persistência e relação de fidelidade com os clientes. “Qualquer atividade que você se dedica, funciona e é rentável com persistência.” Carla e Miguel mantém uma rede de contatos virtual. Através do Orkut e do e-mail, informam seus clientes sobre os eventos que acontecerão no café. Ideia barata e eficaz, que traz benéficos para a empresa. Além disso, a mais antiga e eficiente publicidade também é usada: o boca-a-boca.
Miguel está agora com 41 anos, mas não abandona a ideia de continuar viajando. Sente muita saudade dos tempos de viajante solitário. Quando a filha do casal, Manuelita, for maior, Miguel pretende sair pelo mundo outra vez, mas, dessa vez, com Carla e Manuelita, em uma nova e emocionante viagem pela América do Sul.


A história de Carla & Miguel
A esposa Carla lembra que os dois namoraram por seis anos, antes de Miguel sair pelo mundo. Se conheceram há mais de 20 anos, em 19 de novembro de 1989. Depois de cinco anos de viagem, Miguel ligou para Carla, ainda na estrada, e a pediu ela em casamento. Como não podia deixar de ser, a lua-de-mel foi uma viagem de carro pelo litoral do Brasil.

5 comentários:

Gata de rua disse...

Agora nos conhecemos. E é um prazer!

Gata de rua disse...

Vou colocar a sua "Xícara de Café" lá na minha caixa de gato. Ok?

Beijo

Gata de rua disse...

Fico feliz que tenhas gostado, você foi a primeira a conhecer.É um filho novo.

Gata de rua disse...

Fabita, tens e-mail?

Gata de rua disse...

Recebeu?