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segunda-feira, 30 de maio de 2011

Doutor silva

Silva não tem doutorado, não empina o nariz, nem usa caixa alta. Dizem que a estrela dele não brilha, porque haja estrela para tanto silva. Silva não tem identidade, não tem referência de elite, entende só do salário que não vem no fim do mês e de risada solta quando bota a carne no fogo. Silva não fala bonito, não escreve bonito, não solta verbos desconhecidos. Silva não ouve bossa nova. Silva não tem primeiro nome, não ganha emprego de gente, não casa com madame. Silva nasceu no morro e para chegar em casa, só mesmo com fé em deus. Silva tem dons que ninguém parou para descobrir. Silva tem humor que ninguém parou para ouvir. Silva tem tom e ritmo que produtor nenhum desvendou. Silva tem sorriso de orelha a orelha, não conhece o ar blasé dos afortunados. Silva aprendeu na rua a manha, a mentira e a conquista. Ninguém ensinou silva, nem escola, nem pai, nem mãe. Da vida, aprendeu só o soco no estômago e o impacto na calçada que deixa traumas. No morro, nem saneamento básico, nem teto pra inibir o solão indecente. A poeira é a constelação de silva, aquele que a estrela não brilha. Do jeito que nasceu há de morrer, prematuro, sem colo. Silva nasceu pra ser mais um. Silva não ganha diploma. Silva não ganha gracejo de gente fina. Silva sonha só para se manter vivo. E quando a noite vem, o ponto luminoso é receptáculo de pedidos que nunca vêm. Mas, nas mãos cravadas de calos, ainda carrega o diploma imaginário com apenas duas palavras: paciência e persistência. Diploma que não se ganha em faculdade nenhuma, a não ser na academia freqüentada por silva, onde nenhum outro pode entrar sem bater.

sexta-feira, 27 de maio de 2011

E no Botequim...

Sobre uma certa madame

Madame Sépia é uma mulher misteriosa que olha o céu de fim de tarde e se encanta com as cores desbotadas de um horizonte solitário, que a faz ter vontade de se lançar para o mundo, sem destino, on the road. Ela só tem um gato como companhia, mas todo o desejo do mundo no peito. Madame Sépia guarda seu impulso oculto na retina, que tudo capta, mas que nada conta. Além do gato, seu quarto barato guarda uma jukebox. Nela, Alice in Chains, Pantera, Metallica, The Doors e Led Zeppelin compõem a trilha da certa madame que, com ouvidos atentos, pode ser ouvida sussurrando segredos entre as faixas de um disco imaginário.

sexta-feira, 20 de maio de 2011

Das frases ambíguas

Outro dia estava caminhando na rua e percebi o quanto os homens percebem uma bunda. Uma moça estava na minha frente e um cara muito distante, que passava de carro, gritou: "moça, você tá perdendo a identidade". Do bolso de trás da calça jeans super-apertada, caía mesmo a carteira de identidade da moça. Mas, ouvir naquele tom que a identidade de alguém caía, me alvoroçou. Pensei logo: "vou escrever um texto". Aqui estou, pensando se algum objeto seria possível de carregar verdadeiramente a identidade de alguém e se a moça (ou seria apenas a bunda?) na calçada poderia ter um desdém tão grande com sua identidade que não se importava em vê-la sendo apenas mais uma no achados & perdidos. Será que quem perde a identidade, se encontra? Será que há uma espécie de anarquia em perder a identidade, fazer-se anônimo, indigente, por algum tempo, é libertador? Quem são os donos das carteiras de identidade nos achados & perdidos? Criaturas desalmadas, defuntas, distraídas... Quem são elas nas fotos 3x4? Tão sem expressão, tão feias e abatidas, as pessoas nas fotos 3x4 são múmias modernas. Não sorriem, não choram, não gozam, não têm preferências. São apenas números aborrecidos. Na Matemática urbana, há mais números do que gente, mais carteiras do que identidades.

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segunda-feira, 16 de maio de 2011

Dispersas

Se tem algo que vale no meu Facebook é o álbum "Dispersas". 
Registros em P&B de diferentes cantos que um dia eu irei expor ;) 



Caso Araceli ou os tecidos de flanela da infância

Era final de 1992 ou início de 1993. Estava deitada, no auge da minha infância, no chão da sala, agarrada a uma edição da Revista Manchete. No rádio, tocava um hit daquele tempo – uma versão nacional da música Words, do Bee Gees. “São só palavras, e palavras são tudo que tenho”... Eu não era lá uma leitora assídua de revistas, mas uma grande reportagem me prendeu a atenção naquela noite.
Falava do Caso Araceli, menina de apenas oito anos, mais ou menos a minha idade na época, que havia sido estuprada e morta em 1973. Nas páginas da Manchete, Araceli em fotos de família, com sorrisos tão lindos e tão puros, que me transformaram para sempre. Aquele sorriso violado, aquele acesso ao lado mais pútrido da humanidade, me marcaram fundo.
Nos dias que seguiram, uma ideia estranha: me vestir igual a ela, com aquelas roupas estilo marinheiro, moda no início dos anos 70. Além da idade, a franja e o rosto – com aqueles olhos profundos, eu também já tinha. Não sei o que houve comigo, mas a reportagem me tocou tanto que hoje, quase 40 anos depois deste que foi um dos crimes mais bárbaros registrados no país, ainda não solucionado, e quase 20 anos depois daquela leitura intensa, o Caso Areceli ou “Crime Araceli”, como ficou conhecido, ainda me causa grande desconforto.
Não sou a pessoa indicada para dizer o motivo deste apego ao caso, mas, acredito que como ser humano, me senti tocada por tamanha crueldade e tamanha identificação. “Podia ser comigo”, devo ter pensado, provavelmente. E hoje, ao rever os frames do crime hediondo, penso: “podia ser com quem eu amo”.

Crônica feita em alusão ao dia 18 de maio, “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”.  

Pelos direitos dos meninos e meninas, Disque 100!

Gapa Chapecó apóia o “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”. No dia 18 de maio é momento de mobilizar-se contra a violação dos direitos dos meninos e meninas do Brasil

 

No dia 18 de maio é o “Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes”, data firmada em razão de um crime bárbaro praticado no ano de 1973, que deixou estarrecidas pessoas de todo o país: o Caso Araceli ou “Crime Araceli”, como ficou conhecido.
Araceli tinha apenas oito anos e foi cruelmente assassinada, após sofrer estupro. O crime aconteceu em Vitória, Espírito Santo, e ainda repercute, mais de três décadas depois. Embora a polícia, a Justiça e os próprios pais soubessem quem eram os assassinos, devido ao poder econômico de suas famílias, eles permaneceram impunes, transformando este caso em uma das maiores aberrações registradas pela Justiça brasileira.
A finalidade deste dia é mobilizar o governo e a sociedade civil para enfrentar, com mais efetividade, essa dinâmica cruel de violação dos direitos de meninas e meninos brasileiros. Mobilizar, sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar dessa luta também é dever do Gapa Chapecó (Grupo de Apoio e Prevenção à Aids de Chapecó).
Segundo o diretor executivo do Gapa, Ricardo Malacarne, crianças e adolescentes vítimas de violência sexual podem estar vulneráveis e tornarem-se mercadorias e assim serem utilizadas nas diversas formas de exploração sexual como: tráfico, pornografia, prostituição e exploração sexual no turismo. “Por isso, denuncie. Disque 100 ou procure o Conselho Tutelar do seu município”, informa o diretor.

rec

Convite - NY City

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Tennysrock: Música autoral no Oeste é possível

Banda de Pop Rock de Concórdia (SC), Tennysrock agora procura espaço em Chapecó. Uma banda recente, que começou em 2010, após a junção das bandas Anjos Urbanos e Km0, que, além de vibrar com o repertório de covers com o melhor do Pop Rock Nacional e Internacional – de bandas como Legião Urbana, Capital Inicial, TNT, Reação em Cadeia, Nenhum de Nós, Engenheiros Do Hawaii, Green Day, Creedence, Aeroesmith, Guns N’ Roses e Red Hot Chili Peppers –, aposta em composições próprias.
Uma delas, está sendo tocada nas emissoras de rádio da região. “Tempo Faz”, composta pelo vocalista Fábio Silva, está disponível no YouTube. A voz intensa do vocalista – ex-Pão Cum Banha, lendária banda punk de Concórdia –, combina perfeitamente com o ritmo dos outros integrantes da Tennysrock, que recentemente lançou um blog: tennysrock.blogspot.com
Agora, os meninos de Concórdia passam por um momento de mudança, sinal de que logo virão novidades por aí. Entre essas mudanças, a vinda de Fábio e do guitarrista Fernando para a Capital do Oeste, lugar onde sonham conquistar o reconhecimento já alcançado em Concórdia e região, em shows cheios de energia, com refrões marcantes de letras que falam de um universo de sentimentos, identificado pelos fãs que buscam na banda referência.

Tennysrock

Fábio - vocal
Anderson - guitarra
Fernando - guitarra/violão
Gabriel - baixo
Marcelo - bateria

Contato para shows em Chapecó: (49) 9993-4049
Deixando a banda falar por si: 

Se carrega a minha semente, há de ser o meu mundo



terça-feira, 10 de maio de 2011

porque ninguém é completamente feliz sozinho

clichê


há quanto tempo eu não era feliz? há quanto tempo não sabia o significado deste adjetivo simples, deste clichê, deste estado quase inalcançável e tão efêmero que, se perdermos tempo pensando nele, o perdemos de vista? nesta madrugada, como sempre, acordei entre às 3h e às 4h. tentei o sofá, a tv, um copo de leite, um ataque à geladeira, mas só a janela com suas brisas de outono me trouxe a pergunta. desde quando eu não era feliz? a resposta, para lá de relativa. quatro anos, 189 dias, 17 horas, 37 minutos, 44 segundos. números vestidos de séculos quando este simples clichê é apagado da memória sem aviso prévio e sem promessa de voltar.

sexta-feira, 6 de maio de 2011

Artistas chapecoenses expõem em Nova York



Uma exposição de artistas brasileiros no Brazilian Endowment for the Arts (BEA) terá obras de artistas chapecoenses. O centro cultural localizado no coração de Manhattan, tem o objetivo de promover e cultivar o uso da língua, cultura, artes e letras brasileiras nos Estados Unidos.
As obras da fotógrafa Rachel Kleinubing que eternizaram o canyon Guartelá e as formas da mulher brasileira, integradas ao lugar, serão expostas em New York, assim como obras de Marta Spagnol e Silvana Annes, artistas encaminhadas pela marchand Mirian Soprana, da Casa + Arte Galeria.

SOBRE A BEA

A BEA é uma organização sem fins lucrativos que cumpre sua função por meio da promoção de conferências, palestras, congressos, exposições de arte, aulas de português, recitais de música, mostra de filmes, lançamentos de livros e eventos literários.
Inaugurada em 4 de dezembro de 2006 pela União Brasileira dos Escritores de New York (Ubeny), a BEA também sedia a Biblioteca Machado de Assis, primeira e única Biblioteca Brasileira em Nova York, que possui atualmente acervo de mais de quatro mil títulos. Os livros são frutos de doações da Biblioteca Nacional, Academia Brasileira de Letras, instituições privadas e colaborações individuais.
Já recebeu a visita de acadêmicos como Nelson Pereira dos Santos, Nelida Piñon, José Sarney, Ana Maria Machado, Marcos Vilaça e Luiz Carlos Lisboa, além do cartunista Maurício de Souza e diversos outros escritores.
Conheça a Biblioteca Brasileira em Nova York: www.brazilianendowment.org