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sexta-feira, 20 de agosto de 2010

O poeta da lisergia


“Minha poesia é lisérgica. São textos metafóricos, porque eu não sou explícito.” João Marcello Ecco

Um poeta sem o seu café cativo, não se sente tão poeta. E foi em um café da cidade que eu o encontrei. Pede “o de sempre” para o moço do balcão e, lacônico, me fala sobre psicose, lisergia e poesia, enquanto ouvíamos o som ambiente com pegadas latinas.
Transfiguração foi um termo usado pelo escritor inglês, Aldous Huxley, para explicar um estado de alucinação. Influenciado pela psicologia, pela alucinação e por toda a lisergia da década de 1960, caracterizada pelo Movimento Hippie, João Marcelo Ecco escreveu o seu primeiro livro de poesias “Transfiguração – Psicoses, Versos e Lisergia”, em um período conturbado. Feito em co-autoria com o poeta chapecoense Manolo Kottwitz, o livro, independente, foi lançado em 19 de junho desse ano, com tiragem de 600 exemplares.
Seu livro está em todas as livrarias da cidade e, com ele, um pouco da lisergia que move o novo poeta. “Minha poesia é lisérgica. São textos metafóricos, porque eu não sou explícito. Eu sinto que deixo o leitor a desejar, com necessidade de ler novamente para tentar entender os poemas, que podem dar espaço para várias conclusões.”
Escreveu para si, numa busca de querer falar algo para o mundo, sem olhares exclusivos de venda. “Recebi muitos comentários bons sobre o livro. Me surpreendo vendo pessoas colocando meus textos no Orkut, com o meu nome lá embaixo”, conta o poeta, que faz uso de elementos de escrita da internet, explicando que os poemas são auto-biográficos e marcam períodos distintos vividos por ele. A paixão pela escrita surgiu há três anos. Com o lançamento da obra, João começou a ler e a escrever ainda mais. Agora, da poesia passa a escrever contos.
Chapecoense, estudante de psicologia, poeta e músico da ex banda de rock, hardcore e música alternativa, Resid. No momento, está em um processo solo. Na vitrola de João, tocam discos de vinil, na maioria rock. As bandas que mais fazem a roda girar são Pink Floyd e The Beatles, como outras das décadas de 1960 e 1970. Dos brasileiros, gosta da música de Zé Ramalho, Jorge Ben, Tim Maia, João Gilberto, Chico Buarque e todos do Movimento Tropicália. Sua coleção de discos é vasta. “Tem muita música boa que só tem em disco”, comenta.
Aos vinte anos, completos em março, João é tímido diante da máquina fotográfica. Tanto que quase não deixa mostrar os olhos claros, que já leram muito Allen Ginsberg, Vinicius de Moraes, Fernando Pessoa, Pablo Neruda e Arthur Rimbaud. Autores que, sem sombra de dúvidas, fazem casa em sua poesia, seja explícita ou inexplicitamente.

O que está por baixo da terra

Botão de flor no olhar;
O sol queima o coração a latejar;
Visão das belas e feras,
Esconde o que é belo,
Sua alma a flutuar em movimentos;
E me apaixonei misteriosamente para sempre.


João M. Ecco

(Publicado no Caderno Comportamento no dia 21 de agosto de 2010)

Um comentário:

Noctis Lupus disse...

Para mim, vejo mais como: "Um poeta sem seu vinho, não se sente tão poeta". :) Mas é questão de gosto, não? Beijos.