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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

As flores sombrias de Baudelaire

As Flores do Mal é a obra-prima do poeta francês Charles Baudelaire. Os poemas mais antigos da obra datam de 1841. Causou celeuma judicial e hostilidade na imprensa da época. Publicado em 1857, foi julgado como imoral. O poeta foi condenado por ofensa à moral pública, tendo sido multado e obrigado a retirar alguns poemas do livro.

Em seus versos, Baudelaire enfatiza os sentimentos de uma alma atormentada, através de uma poética sepulcral, de tom triste, sombrio e também boêmio. Baudelaire deu origem aos chamados poetas malditos na França, tendo inventado uma nova estratégia de linguagem, pois incorporou a matéria da realidade grotesca à linguagem sublimada do romantismo, criando assim a poesia moderna. Baudelaire, além de poeta, foi também crítico e marcou as últimas décadas do século XIX. Influenciou a poesia internacional com As Flores do Mal, surgindo, a partir do livro, o movimento simbolista.

Charles-Pierre Baudelaire nasceu em Paris, em 9 de abril de 1821. A casa em que nasceu, na Rua Hautefeuille, 13, foi demolida e hoje abriga a Livraria Hachette, no Boulevard St. Germain.

O livro que tenho é um texto integral, lançado pela Martin Claret, em 2003, que publicou As Flores do Mal na conhecida Coleção a Obra-Prima de Cada Autor. É dividido entre Spleen e ideal, Quadros parisienses, O vinho, Flores do mal, Revolta, A morte e Poemas acrescentados às Flores do Mal na edição póstuma.

O comprei no ano seguinte do lançamento, na faculdade. Seu estado deplorável conta histórias das noites em que foi devorado sem pudor. Ecoaram das gargantas na noite ébria “A uma mendiga ruiva”, “A alma do outro mundo” e principalmente “De profundis clamavi”, poema cujo título se remete ao Salmo 134: “Das profundezas erguerei a ti, Senhor, os meus clamores”. (De profundis clamabo ad te, Domine).

E que conexão sentia com aquele poema.

Imploro-te compaixão, ó meu único amor,

Do fundo deste abismo em que agora sucumbo.

É um universo morno, o horizonte de chumbo

Em que nadam na noite a blasfêmia e o horror.

E seis meses no céu plana um sol sempre frio,

E seis meses a noite é imensa e tumular,

É um país bem mais nu do que a terra polar,

– Sem verde, sem bosque e sem animal e nem rio.

No mundo não existe um horror comparado

Ao frio tão cruel deste sol congelado,

À noite imensa igual à do caos ancestral;

A sorte invejarei do mais vil animal,

Capaz de mergulhar no seu sono inconsciente,

Com os fios do Tempo a dobrar lentamente!

Em 31 de agosto de 1867, Baudelaire morre, sendo sepultado no Cemitério de Montparnasse, onde faz companhia a figuras como Jean Paul Sartre, Simone de Beauvoir, Guy de Maupassant e Man Ray. Sua vida, como a muitos de seus vizinhos de alcova, parece ter percorrido mais tempo do que a vida de nós, meros mortais, pela força da obra deixada, que dispensa demais elogios.

2 comentários:

Esconderijo do Observador disse...

óTimo post. Passando tambem para deixar uma dica http://www.unisinos.br/direitoeliteratura/index.php?option=com_content&task=view&id=15&Itemid=39

devore. e veja em vimeo.
Um beijo do observador.

Rart og Grotesk disse...

Adoro Baudelaire!!Legal vc ter feito um post dele!!