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sexta-feira, 29 de agosto de 2008

é dos cafajestes que elas gostam



a verdade é que vivera, desde muito nova, em um daqueles lares fajutos, famílias piratas & clandestinas. estivera só, desde sempre, pois todos aqueles a quem amava estavam mesmo imersos em seus egoísmos. amores breves de metrô eram mais relevantes para sua mãe do que a vida da própria filha. seus olhos ambiciosos cintilavam ao menor sinal de ouro dos relógios de pulso, ou do rubi dos anéis cafonas dos coroas viúvos – 30, 40 anos mais velhos do que ela –, dos lenços de tecido fino nas lapelas do terno azul-marinho ou do esverdear nada sutil das notas que pulavam da carteira de couro. o fato é que ela gostava mesmo é de jóias brilhantes, vestidos de festa de cetim com pedrarias indianas & toda a ostentação de bordel que pudesse carregar no corpo já enrugado. costume feminino herdado pela filha mais velha, uma compradora compulsiva de objetos inúteis, de perfumes franceses & sapatos de grife. esta, por sua vez, assim como a mãe mas ainda mais perversa, preferia sustentar o ego a qualquer custo, não importando a quem fosse matar ou deixar morrer. ela nascera para dar ordens lascivas a criados, para esbanjar narizes empinados de desprezo porco, para alargar as orelhas com brincos caríssimos. mas, tal como a mãe, não tivera competência o suficiente para suportar velhos gagás podres de ricos & babões & acabara por se envolver com aqueles tipos, meio amantes latinos, abrigando-os confortavelmente em seus braços & em seus bens, gigolôs de aluguel, deleitando-se maravilhada em meio a insultos & porradas, como belo exemplar da classe feminina que é...

Um comentário:

tudo-a-quilo disse...

bibi

de almodovar
de frida kahlo