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quinta-feira, 9 de julho de 2009

esquizofrenia, mescalina e purpurina

o jeito dela comemorar foi com janis joplin aos berros, na estrada, agarrando firme uma garrafa de cerveja numa mão, viva la boemia, e um cigarrillo superfino em vogue na outra, totalmente blue. mal sabia ela se havia motivo para comemoração ou para um derradeiro ataque de choro. ou de nervos. era ainda de manhã, fazia frio, e a neblina, as árvores secas e ela criavam dos cenários o mais bukólico. ela variava entre a janis cavernosa e estridente de "oh, oh, break it! break another little bit of my heart now, darling, yeah"; e a janis macia de "bye, bye-bye, baby, bye-bye". e beirava o suicídio, como uma grande piada-estraga-vidas que era. easy rider, sem destino. sim, benzinho, ela era o tipo de garota que você se arrependeria caso tivesse a infelicidade de conhecer. ela andava tão "come e vai embora", tão "mamãe, não quero me casar", tão quente, tão estúpida e viva e louca, que liberava dos poros o calor e os fluídos do próprio inferno. compulsiva pela vida, ansiosa pelo ápice de tudo, jamais havia tempos mornos nas veias daquela guria. seu primeiro e pequeno livro, um tanto ousado para o marasmo daquelas cidadezinhas do interior. a primeira amostra da porra-louca que era, a introdução a algo que poderia bem nunca vir a existir. o suspiro de um anti-anjo, torto, gauche na vida. uma louca e sufocada testemunha de uma geração perdida.

mentira. era mesmo pura esquizofrenia, mescalina e purpurina.

2 comentários:

On The Rocks disse...

nem tão perdida assim...

a geração de hoje que parece desorientada.

legal!

bj

anjobaldio disse...

Muito bom.