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sábado, 27 de setembro de 2008

a única amiga



dia desses me dei conta de que sou a única repórter mulher de jornal impresso da cidade, a única zineira e também a única fazedora de curta-metragens que conheço. estranho. para onde será que foram todas aquelas aspirantes? será que sou a única pessoa que seguiu os princípios dos tempos de ginásio? tive notícias de algumas dessas senhoritas. muitas delas se tornaram mulheres parideiras, estão tratando de bacurizinhos ranhentos e do marido tomador de cerveja nos sofás de domingo à tarde.
se lamento? a minha vida ou a delas? não. porém, fico surpresa como não podia imaginar, no auge dos meus 13 anos, que me tornaria uma pessoa tão solitária com o passar do tempo. quanto mais me apaixonava pelas artes, a literatura principalmente – sim, porque todo jornalista que se preze sonha em ser romancista –, mais longe dos prazeres mundanos me punha.
se a literatura rasga mundos internos, rumando novas paragens, ela também nos aparta do lado externo da vida. não que eu saiba escrever ou que conheça tudo o que acho que deveria. não. só a amo simplesmente. tenho nojo das pessoas. que pena. gostaria de poder amá-las e de viver ao lado delas na paz divina prometida do amor. tenho asco, fúria, ódio e rancor em doces doses hipocondríacas. sou, finalmente, incapaz de conviver com outro ser, pois já me tomo paciência demais.


2 comentários:

Nelson Soares disse...

Não deixes que a solidão te cegue o coração. A Literatura também pretende apaixonar as pessoas, unir e engrandecer.


Vê as coisas sob outro prisma: os literatos e artistas, tal como os apaixonados, são poucos neste mundo. Talvez devas procurar alguém que goste do que gostes e talvez o local onde vivas te grite para partires com esse destino, com essa ambição, desejo... mas enfim, já falo demais, porque essas são questões que só em ti reside a resposta.


Gostei da mesma paixão pela escrita, embora perfilhe outro ponto de vista, outra maneira de pensar, sentir e agir... =)

Herman G. Silvani disse...

dio fabita!
gostei outra vez deste texto..
é isso.. tem fúria e amor nele.. tem o q necessita para que o suor derrame na testa do leitor..
às vezes, a solidão é a melhor companhia..

besos mujer!
e me visite no meu 'anatema'!