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sábado, 12 de dezembro de 2009

la negra, 4/5 de outubro de 2009

deixe que venha o quiser escorrer dessa rosa negra, la negra rosa da fronteira. já estou do outro lado, mercedes sosa, morta, canta pra mim. rapazes fronteiriços, hospedaje 24h, sir phillip morris no cinzeiro improvisado. compro meu ópio em pesos. cortinas floridas que dão para o asfalto feito de lunas falsas. todos os países têm seus ídolos pré-fabricados. todo o amor é feito solitário. aventuras perpétuas em castelhano falado em altas velocidades. lembro de meu pai. nossa última viagem foi para bernardo de irigoyen. gasosas, framboesas, garapas & tomates. longas esperas no chevette marrom metálico. meu pai, selvagem do asfalto, cachimbos, mavericks & noviças. ouvia perla e pegava a estrada, ao lado da loura fatal que era mi madre. fronteiriços como eu. amantes, como nós. ironia. destino. porra nenhuma. cachorros sem dono, cão e cadela. lençóis surrados, poeira, suor e cerveja. eles se encontravam sem pronunciar palavra alguma em orelhões movediços. se achavam pelo cheiro, pela exuberância das formas disformes, das couraças de aura escandalosa. (cante mais, sosa, cante). o cio inevitável, a morte prematura, um novo caminho, praia ou paraguay, abortos humanos, nós. experiências que não deram certo. por que eu nasci? por que de ti? as velhas banheiras passam velozes & capengas. interrompem meu sono tardio. quero morrer como tu, sosa. em guerra com os pulmões, nas malvinas argentinas.

pelo menos até às 5h45.
adios, “la negra” sosa.

(tirado do diário poético "stereo")

Um comentário:

Noctis Lupus disse...

Andas escrevendo bastante, menina. Aproveite os momentos de criatividade. Um beijão! ;)