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sexta-feira, 2 de abril de 2010


tive a sorte de escolher a profissão certa. o que mais posso dizer? ao olhar o mundo lá fora, de dentro daquele bar, a placa luminosa me fez entrar num insight. estava vivendo como queria viver. desde a infância, apaixonada pelas rádio-novelas, pelo cinema, pelas artes gráficas e pela literatura, eu me via no lugar exato. e então, pegando a estrada e chegando até essa cidade, me senti tão estrangeira como jamais havia me sentido. naquela noite, toda a tristeza de anos de rejeição, de reclusão, do ar pesado das drogas nos edifícios, dos amigos falsos e da parafernália toda de viver aqui, me invadiu a veia principal. lembrei que até fui feliz com ele, no tempo em que achávamos que nosso amor suportaria tudo, das contas a pagar as pulgas no carpet. não suportou. depois dele, ninguém mais chegou tão perto do que sou. lembro dele seguidamente. da barba macia e do sorriso tímido batendo na minha porta no final da tarde. ele jamais me espinhou. talvez por isso tenha saído por aí procurando o empecilho de sentir espinhos. e ele está com o oposto de mim e eu, com o oposto dele. e eu fui embora, milhares de vezes tu me viu partir. quem sabe eu tenha tido alguma sorte na vida, mas não desmereço meu empenho e minha dedicação para ser só. talvez eu tenha algum talento também, para a solidão e para as linhas tortas. lembro do espaço que tenho no mundo, meu pequeno espaço de tratar das artes, da minha quitinete alugada na glória, meu canto escuro longe de tudo. tão bom. e melhor é ter para onde voltar. toda casa é uma benção para um espírito errante. e é tão maravilhoso saber que há poesia na minha vida e que uma pitada disso pode perfurar séculos inteiros, pelo que diz saramago. escrever é o desejo de ser amado, desejo que não acaba porque o amor nunca é grande que chega, como mais ou menos diz gabriel. me sinto satisfeita em sentir a literatura tão perto do jornalismo. e sei que isso é só o começo...

Um comentário:

Noctis Lupus disse...

O texto é uma mistura de tristeza, melancolia, saudosismo. Muito bom, mas ainda triste... Beijos!