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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Das folias esotéricas



De que tempos remotos seriam datadas as superstições? De que matéria são feitas para que perdurem tanto? Teriam um fundo de verdade as histórias contadas pelos nossos pais e avós? As mesmas que ouviram dos seus, e assim por diante, como uma louca imagem de um espelho em frente ao outro: infinita, e de incertos paradeiros curvilíneos.
E foram noites após noites de chuva e com cheiro de parafina, do fogo que queima a vela e acende a imaginação... A imaginação, e não seria esta a tal matéria de que são feitas as superstições? Diriam os simplistas, filósofos de boteco, que elas viriam do medo humano do desconhecido. O eterno receio do negro, o lendário medo da morte, ainda que a vida doa mais e seja comumente mais lenta; Diriam os crentes que elas viriam da mais pura e indiscutível verdade. Ora, quem desconfiaria do poder nocivo dos vãos das escadas pendidas nas paredes, dos gatos que cruzam as ruas furtivos e das temerosas sextas-feiras marcadas pelo tão afamado número 13?; “Uma mente doentia, alienada e ignorante”, lançariam os descrentes, munidos de cálculos, fórmulas e comprovações científicas provindas de cérebros altamente racionais, incompatíveis a quaisquer noções de fé.
No Tarot, o número 13 não é nada mais, nada menos do que o arcano da Morte, a mais temida das lâminas, que perambulam pelos séculos decifrando as engenhosas organizações sociais, do Imperador, passando pelo Hierofante, chegando ao Louco, o bobo da corte de todas as cidadelas do Mundo, aquele que de tão “bobo”, fala o que o povo vê, mesmo que com o pescoço em guilhotina eminente.
E o 6? Ah, o 6. Sua má fama é antiguíssima, dos tempos bíblicos, a-po-ca-lip-ti-ca! Sexta-feira, o sexto dia da semana: Que dia para estar aliado ao vilão dos números, o 13. Pior do que isso, somente se unido a uma seqüência de dois 6, aí sim. Meia, meia, meia (666): o Número da Besta. O que diria Pitágoras ou Einstein sobre tais atribuições? Chamem os matemáticos, porque disso, eu nada sei. Só do que me lembro dos tempos de escola é de uma frase nada amistosa que me vinha à mente: “Sorte desse cara que inventou a matemática de já estar morto; se não estivesse, eu mesma o mataria”.
Na tradições esotéricas da numerologia, o número 6 não é tão mal assim. Ele representa harmonia e o amor. O 13, é entendido pelo número 4 (1+3=4), um número bem menos excitante, já que fala de rotina e pragmatismo. É, e falando nisso, a escada, companhia rotineira de exímios pintores, lixadores de mão cheia e limpadores de translúcidas superfícies planas, só é nociva, na minha opinião, se aliada com más intenções à poderosa Lei da Inércia, a primeira de Isaac Newton, que diz que: “Um corpo em repouso irá permanecer em repouso até que alguém ou alguma coisa aplique uma força resultante diferente de zero sobre o mesmo”. Ou seja, se os pintores, lixadores e limpadores nervozinhos resolverem colocar determinada força em suas respectivas varinhas mágicas de cada dia e lançarem na sua cabeça. Aí sim, a Dona Inércia garante que o objeto não vai parar de cair até encontrar um obstáculo, ou seja, a sua cachola. Assim, garanto que passar debaixo de escadas é mesmo um tanto perigoso.
Quanto à discriminação ao negro do gato, a acho válida desde que o supersticioso em questão utilize a sua criatividade maléfica e preconceituosa contra o pobre bichano – Felis silvestris catus negrus – para baixar o Edgar Allan Poe que existe em si e (re)inventar um conto imortal, usando a matéria-prima das superstições, a imaginação: fonte indispensável de verdadeiras proezas nos campos da história, filosofia, religião, esoterismo, matemática, física e, é claro, das letras, para a qual me refugio sem saber de nada, nem dela, nem das outras, como uma supersticiosa e eterna espectadora da vida.


(Publicado no Folha Regional em 13 de fevereiro de 2009)

3 comentários:

Endemonhiado disse...

Superstição é para quem acredita. E é com base nisso que pode-se dizer que a vida de todas as pessoas é uma grande superstição. Pegando como exemplo: um simples gato preto atravessa na frente de alguém, momentos antes de ocorrer algo ruim. Este fato gera, para aquele que pode perceber, a associação negativa na mente com relação ao gato, e isto se dá muitas vezes pelo fato em si,ter sido atípico, mas foi uma associação.
E o que somos nós, senão um emaranhado de associações?
No entanto, ao contrário do gato preto, algumas coisas são tão mecânicas e típicas, que não conseguimos perceber e isto se deve ao sono em que todos se encontram.
Coisas simples e triviais de nossas vidas podem provar que a superstição está em tudo e muitas vezes não conseguimos enxergar como sendo uma superstição, mas não deixa de ser. "Dormimos bem!; foi a cama"; Chamei a atenção de alguém e gostei!; foi a roupa, o perfume"; "Disse a verdade para alguém e fui mal interpretado ou mal tratado!; nunca mais farei isso"; e por aí vai.
Acreditamos no que achamos certo e evitamos o que acreditamos ser errado, o que nos amedronta, isto é superstição; A loucura está no fato de que muitas vezes o errado de um pode ser o certo de outro.

fabita . disse...

texto não corrigido.

Endemonhiado disse...

Suponho que ao questionar sobre a possibilidade de eu e você nos conhecermos, tenha visto em minhas palavras algo familiar. Estou certo?
Certo ou errado, entrei em seu blog por acaso e sendo assim não sei se a conheço, afinal pouco consta aqui sobre você(nome, endereço,rótulos). Mas independente de tudo podemos trocar conhecimentos, não sobre nós, mas sobre a vida, a fim de expandirmos nossa percepção sobre as coisas.