Pesquisar este blog

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Ah, o Jornalismo!


Um pequeno espaço de tempo, entre a redação do jornal e a padoca, em uma tarde fria e ensolarada. O espaço de tempo que dura um cigarro. Cinco minutos debaixo do meu chapéu estereotipado de jornaleira foram suficientes para esquentar as ideias, trazendo a certeza: nada como ser jornalista.
Acabo de sair de uma experiência traumática com assessoria de imprensa. Nada mais sem sentido e sufocante do que servir apenas a alguns reis, perdendo a liberdade de escolha, de criação, que o Jornalismo pode dar.
Além do café da padoca, a estrada. Ah, a estrada. Que saudades que eu tinha de pegar a estrada e ir atrás de uma pauta no meio do nada, no meio de um acontecimento único e registrá-lo através da arte da fotografia e da escrita literária.
Assessor de imprensa nenhum pode ter acesso ao sentimento de liberdade que um jornalista experimenta. Ah, o Jornalismo. Cinco horas diárias de uma terapia dignificante, que engrandece não só quem a pratica, mas quem dela se beneficia indiretamente.
Sim, os leitores sentem quando uma reportagem é escrita com o coração. Não há modo de fingir. É como fingir orgasmo. Sempre se percebe. Jornalismo, quando se dá adeus às fontes oficiais e esnobes, é a melhor profissão do mundo. Jornalismo, quando não se coloca rédeas, é uma experiência que vicia, que cansa, mas que fortalece.
Tenho pena de quem jamais encarou o horror de uma redação. Professores e assessores, tenho pena de vocês. Mais pena do que de mim, com suor na testa, calça rasgada no tintilar das pautas e tênis encardido e embarrado da lama que vocês jamais ousaram meter a cara!

Nenhum comentário: