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quinta-feira, 16 de setembro de 2010

a cartomante

há pouco mais de um ano, uma cartomante-leitora-de-mãos, com um índio incorporado que nunca-se-engana, previu a morte de uma pessoa querida. previu e acertou. ela disse também que havia um homem, que eu não desconfiava, que já tinha uma pessoa, mas que guardava por mim amor platônico. disse mais: falou que ficaríamos juntos, que ele deixaria da dita mulher e que seríamos felizes. engraçado, somente a tragédia se configurou. pode parecer tolo, mas a previsão da cartomante ficou em mim. tanto que a cada novo rosto, procuro esse homem. mas nunca, nunca o encontrei. existem bilhões de pessoas na terra, mas nenhuma que tenha dito “eu te amo” & “vamos ficar juntos”, “não precisa mudar, te amo assim” ou “quero ficar só com você”, como diz aquela música de amor urbano e contemporâneo. fico pessimista e penso: se eles, os homens, fossem bons, eu não teria os abandonado ou eles não teriam me abandonado. se eles fossem bons, eu não estaria só, acreditando em previsões de velhas bruxas clarividentes. o amor é como um personagem lendário que teimamos em acreditar. como um duende, um elfo ou coisa que o valha. tenho quase certeza de que ele não existe, mas a lenda permanece e me (des)conforta o peito. tenho quase certeza que efraim medina reyes estava certo quanto aos atributos certos que as mulheres precisam ter para serem amadas por um homem e que não importa se elas atravessam as fases da lua em nado celestial: nada vale, senão as formas & perfumes, pesos & medidas. dados etéreos são démodé. felizes dos homens, pois as mulheres já não são assim. meus olhos são prova disso. então, desculpe, madame. mas sua previsão é furada. homem nenhum é capaz de amar o que a dor me fez. agora, devolva a vida daquela que a tua previsão levou. e demita o índio velho, porque ele finalmente se enganou.

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

ave, dor

devo isso tudo à minha dor. se me elogiam ou me julgam, procurem antes entender a minha dor. minha dor foi o que me fez assim. minha dor é o que eu sou. se lêem minhas linhas, se admiram minhas letras, dêem graças à minha dor. sem ela, não seria feridaviva, sem ela não sentiria o que sinto e do jeito que sinto. se esperam um livro, me façam dor. só minha dor será capaz de escrever. mas não mexam na minha dor, lembrou leminski. minha dor é só minha. me faz envergar, sou envergada por ela. sou curvada por ela, minha dor me encurva, me envenena e me cura. se há amor nessas palavras, celebrem à minha dor, que chegou antes. ela me levou, ela me elevou, ela me guiou, ela me fez, dor.

tempos de annabel lee

e encontrei um outro blog, meio bobo "diário de annabel lee" {http://annabel_lee.weblogger.terra.com.br}, também de 2004. mas, escolhi alguns escritos.

O Mundo das Esponjas


Eles estão sentados

Parados... de boca aberta

A saliva escorrendo pelo queixo

Eles estão sentados

Ouvindo tudo

Sugando tudo

Seus cérebros guardam as informações

Mas suas almas não captam as mensagens

Eles estão sentados

Não sentem

Não pensam

Não amam

Suas nádegas amassadas nas cadeiras

Seus olhos fixos

Esbugalhados

Eles estão sentados

De expressão pesada

Eles não sorriem

Ou choram

Eles não querem sonhar

Querem dinheiro

E um pouco de glamour

Eles querem novela

E nenhum papel no mundo

Querem coluna social

Fofoca e carnaval

Eles querem reality show

Gaiolas e televisão

Eles estão sentados

E nada os tira dali

Seus corpos guardam o vírus

De um mundo de ar-condicionado

Esperando o belo dia

Em que serão pessoas felizes

Enquanto dizem por aí

Fazer o quê?

É a vida...


O que é o amor? Um sentimento louco, distorcido... que soa pesado e lento, violento... que não tem tom definido ou limite escolhido. O que é o amor? Uma gota divina nesse poço mundano, vulgar e profano. O sagrado dentro dos ímpios. A arte dos mundos. O que é o amor? Indefinido... indiscritível... eterno... etéreo... lisérgico. O amor é um perfume doce... amargo... azedo... salgado... ou cítrico... amadeirado... ou perfeito. É a combinação dos mais puros elementos... um sonho dentro de um sonho... ou talvez... um espetáculo ruidoso... ou também... um epitáfio bauzaqueano... só sei que ele chegou até mim, fez casa no meu corpo... trouxe a febre mais ardente e padeço como símbalo estridente... e me fortaleço tal qual o medo diante do medo. Eu sou o amor agora... e o que sinto é vivo e mórbido... cadavérico e renascente. Só sei que o que eu era eu não sou mais, depois que decifrei os códigos do meu amor.... e fim.


Não sei por que agüento a tua frieza, o teu descaso, a tua indiferença. Hoje tudo está tão pesado, minha alma não suporta meu corpo, meu corpo não suporta minha alma, minha cabeça parece vítima de microfonia. Sem saída, a rua acabou. É hora de procurar outro lugar pra caminhar. Jamais hei de acostumar-me com esses abraços gelados, com esses beijos esquivos, com essas palavras forçadas. Não... jamais! Não sou um fantoche, tão pouco sou sua. Sou minha e não me permito seguir quando percebo que o amor não cabe a mim.


Universo Estranho


Chega perto de mim

Não tenha medo

Minha maldade às vezes se esconde

Eu sei o que você guarda

Por detrás desses olhos castanhos

Eu conheço o teu sonho mais doce

Teu medo mais violento

Eu conheço o que você pensa

Quando está sozinho

Trancado em seu quarto

Eu sei o que você tem

Dentro de suas gavetas mais secretas

Eu posso te ajudar

Cuidar dos teus abismos

Eu posso amar você

E te dar colo nos dias tristes

Eu sei como falar

E como calar quando a chuva sussurra

E escorre pela nossa janela

Que deixa o vento passar

Que balança as cortinas tão leves

Que toca nossos rostos pálidos

Nas noites tranqüilas e poéticas

Perfumadas por incensos suaves

Eu sei... eu sei o que você quer

E sei o que te falta

Eu sou um chão de gelo

Que se enrijece quando é preciso

Eu sou a voz que te chama no escuro

E a luz que consome as sombras

Dos teus pesadelos

Eu sou o mal que te amedronta

Mas sou o bem que te acalenta

Eu sou um universo incerto

Pronto para ser descoberto...

Adentre em mim e veja.

cerejas suicidas

encontrei um blog meu muito antigo {http://annabel-lee.weblogger.terra.com.br}, de 2004, que chamei de "cerejas suicidas ". nele, alguns posts memoráveis...

não me pergunte!

histórias e contos

são mais sábios que eu

deixe lhe contar

deixe que eu te mostre

o deserto dos meus olhos

o impulso das minhas vozes

meus demônios

meus anjos alados

minhas funestas verdades

poesia desmembrada

além de incerta

calma e inválida

vulgar e profana

deixe-me mostrar

o sagrado de mim

vagando na noite perdida

onde não há estrelas

ah, morrison

tu que foi tão forte

e teu corpo tão fraco

venha me buscar em uma noite qualquer

deixe-me escolher meu signo

vamos ouvir a noite cantar

e esperar o dia nascer

com dois sois multicoloridos

só pra variar

mais um pouco de nonsense para esquentar a noite

já que vinho se tornou risco de vida

mais uma dose de poesia absurda

mais cem copos de inconsciência, por favor

ninguém mais agüenta esse mundinho real

ningüém mais agüenta acreditar que somos simples mortais

sonho, sonho... me traga músicas dos beatles

com clipes nostálgicos... bem fora das leis

sonho, sonho... me traga o amor dos puros

e me diga pra qual estrada devo ir

em qual trem devo entrar

sonho, sonho... não me deixe tão só

preciso de beijos abstratos e abraços sem fim

sonho... seja bom... ao menos você

já que eu, sem querer, sou tão cruel e imperfeita

dúvidas

distância

frieza

descaso

solidão

antigüidades

sem valor

acomodação

sem amor

ponto final

Por mil anos procurei sua alma...

Quantos poemas comecei assim

Nada comparado ao que eu realmente sinto

Pois, como Nietzsche diria

As palavras estão mortas em nossos corações

Porém, mortas, vivas ou mortas-vivas

Teimo em libertá-las

Pois as vejo como libélulas enclausuradas

Borboletas de um inferno não maldoso

Mas conflituoso e furtivo

Que se despedaça a cada vil instante real

Que anceia por uma porta do mundo surreal

Como o de Alice No País Das Maravilhas

Insano, porém poético

Irritante, porém desconcertante

Impiedoso, porém fantástico

E nada irá roubar-lhe essas qualidades mais que humanas

E nada irá fazê-lo perder o perfume etéreo

E nada colocará um ponto final

Pois não existe final

É... existem estranhas formas de fugir quando se está em dias estranhos. Nada é aceitável... tolerável... digno de paciência. Quantas músicas ainda irei cantar para acalmar minhas fúrias instintivas? Quantos poemas pobres de rima, métrica ou estética farei antes da noite chegar? Não deveria ter aberto minha janela neste dia tão claro, tão cheio de dor. Se a morte chegará com o fim dos tempos, terei que aproveitar antes que o sol se dissolva e até lá é melhor ser pagão, do que ser pseudo-profeta nas surdezes do mundo.

Estou tentando achar o meio-termo... não quero ser grossa... mas também não quero mentir ou fingir, ser hipócrita. Não quero ser extremista, ser anti-social, mas também quero que as pessoas saibam o que eu penso, o que eu aprovo ou desaprovo nas suas atitudes... personalidades. Quero que elas saibam também que se estou ao lado delas é porque eu as amo e não por mera conveniência. Se procuro por elas é porque tenho bons sentimentos e não por não querer ficar sozinha, pois disso eu não tenho medo e mais, eu gosto disso muitas vezes. Não quero mais brigar, ficar magoada com ninguém... quero perdoar a todos e tentar enteder o lado de cada um... entender seus motivos. Saber que algumas pessoas amam com toda sua alma, mas expressam de formas diferentes. Entender que não existe superioridade, não existem pessoas ignorantes ou fúteis... todos têm algo a oferecer, sem distinção. E que o meio-termo não é algo morno... mas é um ponto que se aproxima muito da paz.

nada a dizer, palavras são tão vis... como se eu não fosse vil. sim, eu sou uma anti-epopéia, um impulso nervoso ou um dia estranho. é, eu sou uma flor do mal e nada mudará isso.

vamos correr, correr, correr! o deserto está próximo e a rainha da estrada está a procura do rei lagarto. vamos chorar, chorar, chorar e esperar que a noite traga seu exército púrpura. vamos gritar, gritar, gritar e nos escondermos no oeste porque o oeste é melhor. vamos amar, amar, amar, o xamã traz o pêndulo, a faca e o amuleto, nos sacrificaremos pelos belos, fortes e sábios e nos tornaremos mojos risings. sim, vamos cair, cair, cair, cada vez mais fundo na inconsciência, esqueçamos nossos nomes, esqueçamos nosso mundo. vamos girar, girar e girar pois o karma cósmico do desejo nos chama e já é hora de partir.

desânimo...ciúme...dor...ódio...amor...fim.

eu sei... eu sei! já não dá mais para se esconder atrás do muro de berlim... já não dá mais para deslizar pelas florestas úmidas antes de cair na inconsciência... eu sei... eu sei. somos anjos em céus de concreto... eu sei. mas eu também sei que podemos ser heróis, podemos ser heróis ocultos. não... não nos suicidaremos antes de amanhecer, nem morreremos imersos em uma banheira de hotel, nem fugiremos para Hamburgo. nós ficaremos e esperaremos as fases passarem, cantando músicas antigas e tomando café nas estações. não teremos overdoses, nem nos derreteremos nos cânceres modernos, nem nos renderemos ao capitalismo que espreita do outro lado... do outro lado do nosso mundo. não... não seria justo, tão pouco seria digno. não beberemos pelos pubs da cidade, nem andaremos em latas estridentes pelas músicas podres. não. não deixaremos que a tristeza nos sucumba... pois a poesia não precisa ser triste... e para sentir não é preciso sofrer... deste romance eu já cansei.


terça-feira, 14 de setembro de 2010

canção mordida

acho que desocupei esse coração tolo mordido de balas. como um quarto de hotel de caixeiros viajantes. desocupado, por um tempo mínimo. pois há sempre um forasteiro querendo entrar. comer, dormir & partir. como um hotel de estrelas perturbadas, em fim de carreira. ora beijam as paredes, ora atiram nelas com espingardas psiquiátricas, ora jogam os televisores pelas janelas. kiss, kiss. bang, bang. homicídios diários no meu velho oeste. psicotrópicos a fazem lunática. ela, a fruta-mordida. as balas, uma a uma, a fizeram escultura escarlate e disparatada. furos negros na carne. não cicatriza o fruto. fruto apodrecendo no peito, morango mofo, com largos albergues de dor. a fruta vigia a janela, a fruta se vende às paixões baratas, às drogas (i)lícitas, aos sonhos de cetim rasgado, às migalhas dormidas do teu pão. se queima toda em cada tragada ou madrugada, a cada inventiva frustrada. sou espiã da tua obra destrutiva. te vejo sucumbir noite após noite desse banco podre de metrô. eu giro contigo, eu corro, passo pelos túneis & pelas províncias & por cada estação. fico enjoada. teu movimento constante é de náusea. tum, tum, tum, tum, tum, tum. quando irá parar? quando irá explodir, cor furtada? te quero sangue na minha garganta, a prova de que partiu. quero te sentir sangue, quero te ver sangue. coleciona amores, coração, que hábito plebeu. poderia colecionar corpos e decora-los. mas não, escolheu decorar o peito de amores platônicos. decidiu levar tiros ao invés de receber rosas; guardar caveiras, ao invés de canções. em cada furo, uma caveira indigente. em cada amor, a morte à espreita.

“Gonzo é o jornalismo mais verdadeiro que há.”


Defensor ferrenho do Jornalismo Gonzo, para ele o estilo é o futuro, não somente do entretenimento, como da informação. Czarnobai “desenterrou” esse estilo de fazer jornalismo em sua monografia, feita 2003, e balançou as estruturas da Fabico!

Fale um pouco da tua formação, especializações, áreas de atuação e de interesse:

Eu sou formado em Comunicação/Jornalismo pela Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação (Fabico) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mas desde cedo senti que não me enquadraria bem no mercado jornalístico – pelo menos não de uma forma convencional. Trabalhei em redações online de portais, jornais e revistas entre 1999 e 2004, e a partir de 2005 me inclinei mais para o mundo da publicidade, onde desenvolvi um intenso trabalho com branded entertainment. Enquanto isso também comecei a me envolver cada vez mais com os universos da TV e do cinema, tendo roteirizado, dirigido e atuado em diversos comerciais, filmes e programas.


Por que escolheu fazer a tua monografia sobre o Gonzo Journalism?

Em primeiro lugar porque ainda não havia uma monografia que falasse exclusivamente do tema em português; em segundo porque eu via no jornalismo participativo em primeira pessoa – independente de possuir ou não o rótulo "gonzo" – o futuro tanto da informação quanto do entretenimento.


Como e quando teve o primeiro contato com o Gonzo?

Não sei ao certo. Na primeira semana de aula na Fabico, fui à uma festa organizada pelos veteranos para os calouros – que aqui chamamos de BIXOS, assim mesmo, com X. Depois da festa, escrevi um breve relato em primeira pessoa como se fosse uma espécie de "enviado especial" misturando ficção e realidade. Imprimi meia dúzia de cópias e afixei em murais, portas de salas, corredores e elevadores da faculdade. Aquilo teve um impacto TREMENDO na faculdade, e me deu o incentivo que eu precisava para seguir fazendo coisas semelhantes. Muitos anos depois, quando o CardosOnline já era um fanzine relativamente conhecido, Daniel Pellizzari (que era também um dos colunistas) me perguntou se eu conhecia o trabalho do Hunter Thompson, pois havia alguma semelhança entre os nossos estilos. Quando fui procurar, me dei conta de já ter lido algo sobre ele em alguma edição muito antiga da Revista Trip. A partir daí li cada vez mais sobre o assunto e me tornei cada vez mais devoto, admirador e praticante.


Como foi pra você desenvolver a monografia sobre o Gonzo?

Bastante difícil: não havia literatura base e nem professores interessados em abraçar o tema – a maioria porque simplesmente desconhecia o trabalho de HST. Tanto é verdade que tive de ser orientado por um professor do departamento de Letras – Paulo Seben – e botei na banca um especialista em cinema – Carlos Gerbase – e outro em novas mídias – Leo Meira. A internet acabou sendo fundamental no meu trabalho. Se ela não existisse, seria totalmente impossível realizá-lo com a qualidade que acredito ter alcançado.


Qual é a importância social de um estudo com este direcionamento?

Nenhuma, imagino.


Sentiu discriminação pela escolha que fez? Sentiu mudanças no contexto em que você vive após a conclusão da monografia?

Discriminação não é exatamente a palavra, mas desde o começo da faculdade tanto os professores quanto meus colegas sabiam que eu não me enquadrava, não apenas ali, mas em NENHUM lugar. Eu sempre pensei diferente da maioria das pessoas, na maioria dos contextos, então todo mundo já sabia que a escolha do tema da minha monografia seria surpreendente. A grande verdade é que até nisso fui subversivo: enquanto todos esperavam que eu fosse fazer algo sobre fanzines online ou internet, eu fui desencavar um estilo jornalístico-literário praticamente esquecido 40 anos atrás. Mas valeu a pena: não apenas fiz um trabalho de que me orgulho como ainda por cima o fiz seguindo à risca a cartilha gonzo. A monografia foi inteiramente escrita em UMA SEMANA de trabalho praticamente ininterrupto, sem revisões ou correções. Do jeito que escrevi mandei pra gráfica.


Pra você, Gonzo é jornalismo? O defende como tal?

Não só isso: gonzo é o jornalismo mais verdadeiro que há. Enquanto no jornalismo tradicional se trabalha com a idéia da neutralidade – algo que inexiste na prática – no gonzo se admite a parcialidade e se deixa isso muito claro desde o início. Não é apenas uma apresentação dos fatos, mas sim um posicionamento destes fatos dentro de um contexto definido, algo que me parece muito mais honesto e honroso do que qualquer formato jornalístico que se possa conceber.


Gonzo é um estilo, um gênero, uma técnica?

Depende muito da tua definição de gonzo. Há quem diga que gonzo é tudo que se faz em primeira pessoa – premissa que permite rotular um subgênero de filmes adultos onde o diretor filma a si próprio em ação de "gonzo porn". Outros defendem que gonzo é tudo aquilo que tem um caráter, uma PARTICULARIDADE muito forte e só pode ser produzido por uma pessoa específica. Há também quem diga que gonzo é todo jornalismo no qual o repórter é o objeto da própria reportagem, ou seja: VIVE uma situação determinada para depois poder escrever sobre ela, algo que se aproxima muito do que no teatro se chama de "method acting". E há quem diga que gonzo, mesmo, só o Hunter Thompson. Botando tudo em uma escala MATEMÁGICA, acredito que gonzo seja um somatório de todas essas coisas, MENOS a parte de ser algo exclusivo do HST.


Em poucas palavras, como você define o Gonzo Journalism:

Redação em primeira pessoa de cunho informativo que mistura jornalismo e ficção de uma forma divertida, irônica ou absurda, elaborada a partir de uma pesquisa ou captação prévia realizada de forma imersiva pelo autor que é, ao mesmo tempo, personagem e narrador.


(Entrevista feita em 2009 para o meu TCC)


conjunção


enfim, estou só. só para observar os ipês amarelos na paz da tarde e olhar o céu de nuvens inconstantes e sentir o frio de um estranho setembro. enfim, sozinha no meu silêncio. nenhuma música é mais bela do que essa. nenhum perfume, mais vivo do que aquele de um quase-verão. quantas foram as estações e as frutas nos pomares dos quintais e as páginas dos calendários que vi correr e as palavras que pronunciei ou pensei ou escrevi? de uma coisa eu sei: serão 27 verões. minha alma casará com a tua, solidão. meu corpo será sempre teu, silêncio. da solidão e do silêncio, tudo menos violências, insultos & violações. sem ausência, a não ser a minha; sem recusa, senão a minha; só eu e a conjunção silenciar. conhece a linguagem dos anjos? é o silêncio de trás para frente. veste teu cachecol de letras e sai pela calçada, embaraçando palavras no ar. solta os cabelos de vermelho licor e embriaga de açúcar, plantas ou ervas o sistema solar. aquece teus dedos no raio de sol, na flor-roda-gigante violeta que tu não vê chegar. espera o verão, na barca do sol. ninguém vai chegar, a não ser o verão...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

o anjo-demônio, hipnotizador de multidões, percorre há quatro décadas um universo chamado rock and roll.//


o letrista e vocalista da banda norte-americana the doors, surgida em meados de mil novecentos e sessenta e cinco, na ensolarada los angeles, califórnia, não levava muito jeito para astro de rock./ sua namorada, pamela susan courson, costumava dizer que jim era um poeta e não servia para aquela vida.//

devido à sua timidez, morrison, em algumas apresentações da banda no clube whisky-a-go-go, em los angeles, no início da carreira, chegava a cantar de costas para o público./ é, como jim morrison mesmo se intitulava, ele era um homem de letras.//

mas tendo ou não vocação para os palcos, jim se tornou um grande mito no cenário musical/ impulsionado pelo álcool, cocaína, heroína e principalmente pelos efeitos alucinógenos e psicodélicos do ácido lisérgico (lsd), morrison deixava que as suas letras carregadas de poesia e misticismo, jorrassem em forma de música através de uma voz cavernosa, em meio a gritos primais, acompanhados hipnose, encenações teatrais e rituais xamânicos.//

nascido em oito de dezembro de mil novecentos e quarenta e três, em melbourne, flórida, james douglas morrison teve uma infância tumultuada./ seu pai, o contra-almirante george steave morrison, passava a maior parte do tempo em bases navais distantes e por questões relacionadas ao seu trabalho, a família era obrigada a se mudar constantemente de cidade.//

no ano de mil novecentos e cinquenta e dois, se transferiram para washington e george parte para a guerra da coréia./ em mil novecentos e cinquenta e cinco passam a residir em albuquerque, novo méxico, e já em mil novecentos e cinquenta e sete, se fixam em alameda, base aero naval na baía de são francisco.//

jim, adolescente, começa a se interessar pela literatura beat e já no ano seguinte, em alexandria, virgínia, vai estudar no liceu george washington, onde aprofunda seus conhecimentos literários baseados nas obras de blake, baudelaire, rimbaud, nerval, lautreamount, dentre outros./ em particular, a filosofia de nietzsche lhe chama muito a atenção e ele passa a estudá-la intensamente.//

no ano de mil novecentos e sessenta e quatro, em los angeles, se matricula na universidade da califórnia (ucla), no departamento de cinema./ no próximo ano, encontra casualmente o tecladista e vocalista ray manzerek na praia de venice, onde mostra a ele algumas de suas composições e resolvem montar o grupo the doors, juntamente com o guitarrista, compositor e vocalista robbie krieger e o percussionista e baterista john densmore./ na ucla fazem a sua primeira apresentação e logo depois, decepcionado e incompreendido, morrison deixa a universidade.//

nesse mesmo período conhece a pessoa que lhe acompanharia pelos seis anos seguintes, a garota de dezenove anos, pamela courson./ um relacionamento que seria repleto de altos e baixos, situações tremendamente conflitantes e um amor arrebatador./, elementos que instigaram patrícia butler e jerry hopkins a editarem o livro “angels dance and angels die – the tragic romance of pamela and jim morrison”.//

a banda é contratada em mil novecentos e sessenta e seis pela gravadora elektra e já em mil novecentos e sessenta e sete é lançado o éle pê “the doors” que atinge grande repercussão tanto de público quanto de crítica./ no mês de agosto o compacto “light my fire” chega em primeiro lugar em vendagem./ em outubro lançam o segundo éle pê, “strange days”, e ainda em mil novecentos e sessenta e sete, jim é escolhido o homem do ano pela revista “time”.//

porém, em virtude de um tempestuoso concerto em new haven, jim ganha algo que nenhum outro cantor havia ganhado até então: um mandado de prisão, em pleno show.//

james douglas morrison tinha agora uma nova vida./ o até então tímido poeta se tornou, de acordo com a sua autodenominação, o “rei lagarto”, que podia ser qualquer coisa, ou o “rei do rock orgásmico”, considerado um símbolo sexual da conturbada geração do sexo, drogas e rock and roll./ boa parte de seus admiradores não queria ver o poeta, queria sim, ver aquele homem bonito que tomava conta dos palcos.//

com o lançamento do álbum “waiting for the sun”, o the doors parte para a europa onde tocam no roundhouse de londres, além das cidades de frankfurt e amsterdã./ nesta última, morrison desmaia embriagado antes do show./ pouco tempo depois, em phoenix, um concerto da banda acaba em sete prisões.//

o ano de mil novecentos e sessenta e nove foi marcado por uma grande mudança./ morrison radicaliza a sua postura, começando a se interessar pelo método de provocar reações no público utilizado pelo “living teatre” de julien beck./ em certa ocasião, jim afirmou: “os sorrisos receptivos dos admiradores geralmente guardam a morte por detrás dos dentes felinos”, máxima que resume a sua opinião a respeito de seu público e porque da nova conduta.//

desencadeia em miami o delírio coletivo de mais de vinte mil pessoas através de atitudes insólitas, não bem esclarecidas, provocando um escândalo nacional./ os concertos do grupo são desmarcados e sofrem boicote nos meios de comunicação./ jim recebe ordem de prisão por atentado moral em miami./ a revista “rolling stone” estampa um pôster com sua foto sob o título: “procurado”, no estilo velho oeste./ se inicia o processo onde a promotoria pede a pena máxima: sete anos e meio na pior penitenciária da flórida.//

seu livro de poemas, “the lords & new creatures”, bem como o próximo éle pê, “the soft parade”, não são bem recebidos pela crítica./ jim grava ainda um disco pirata com jimi hendrix e johnny winter, “sky hight”. o relacionamento com pamela estava complicado, abalado por drogas e traições./ o caos tomava conta da banda./ os integrantes estavam muito revoltados com morrison.//


todos os poemas contém lobos

todos, menos um

o mais bonito de todos

ela dança num anel de fogo

e se livra do desafio

com um sacudir de ombros

espero que venha sorrindo

no que resta de um sonho

o homem-anjo pleiteou sua

alma benevolente

ofélia, deixe o inesperado no sonho

a glória na seda

louca e sufocada testemunha


no próximo ano acontece o lançamento do “morrison hotel”, álbum que teve boa aceitação./ a elektra lança o álbum duplo “absolutely live” e a coletânea “13”. ainda em mil novecentos e setenta, morrison conseguiu editar o livro “an american prayer” com tiragem de quinhentos exemplares./ o tribunal de miami julga morrison culpado e lhe dá a pena de oito meses de trabalhos forçados na penitenciária de dade country, além de quinhentos dólares de multa e dois anos e quatro meses de condicional./ ele é solto provisoriamente sob a fiança de cinqüenta mil dólares.//

em mil novecentos e setenta e um, jim parte para paris com pamela e o seguinte éle pê, “l.a. woman” é lançado com sucesso./ seus intuitos, ao ir para paris, eram de deixar a vida de astro do rock, somente escrever poemas, talvez alguns filmes, ficarem em paz com sua namorada, sem nenhuma grande ambição./ naquela cidade haviam vivido autores que ele há muito apreciava, como baudelaire e balzac, por exemplo.//

lá ele começa a freqüentar o bar noturno rock and roll circus, local preferido dos junkies parasienses./ na noite de de dois de julho, é visto à procura de heroína./ se supõe, segundo a versão oficial, que tenha entrado em coma nesse local, por overdose da droga, e morrido de ataque cardíaco no hotel l, na rua bautrellis, onde estava hospedado com pamela, que o teria encontrado morto na banheira na madrugada de três de julho, com apenas vinte e sete anos./ pamela morreria três anos mais tarde./ como ele mesmo diria: “ninguém sai daqui vivo”.

a trajetória desse “trovador dionisíaco”, conforme alguns veículos da imprensa da época o chamavam, não acabou naquela banheira, tão pouco foi consumida pela terra junto aquele pequeno sepulcro, no père lachaise, onde ícones como oscar wilde e o chopin o fazem companhia.//

jim morrison saiu daqui, mas está ainda mais vivo./ passados mais de trinta e seis anos da sua morte, partículas de sua obra estão inseridas em cds, dvds e ainda em discos de vinil, sendo apreciada por pessoas de diversas idades, reproduzida por bandas covers e influenciando novos grupos; sua vida relatada em livros, revistas, jornais, filmes e especiais de tevê; seu rosto estampado em camisetas e bandeiras... e sua alma, em tudo o que ele nos deixou.//


(partes de um texto e posterior documentário feito em tempos de faculdade)

poemas antigos & outras histórias

Ritual do Mundo

O velho mago atravessou a rua
E entrou na bela Casa de Chás,
Na cidade estranha e distante,
Porém a mais linda de todas.

Ele pediu o chá mais saboroso,
Doce como o que passou
E inesquecível como os olhos negros
Que nunca deixam de ver o quanto não têm fim.

Trouxeram-lhe.
Ele bebeu com a força do seu pedido,
Mas ele não sabia, que haviam dado-lhe absinto...
É o que todos sempre fazem, adoram odiar.
Isso é o que chamam de mundo.

Sem Título

No fogo da cor, imagem, você.
Lembrança passada, mas tão presente
Que incertos seriam meus pensamentos sem ela.

Via sua presença exuberante, estranha,
Em meus olhos encantados, encantando
Presos nos tecidos de flanela da infância.

Via-te, senhor das alturas, auto-sacerdote de mim,
Naquela colina de fogo, com liberdade e distância nos olhos.
Via seus cabelos e segredos seguirem o vento constante da colina,
Monumental, extraordinário.

O céu, o seu céu, brasas ofegantes, deslumbrantes, errantes.
Perdido em seu olhar do passado,
Você do ontem e eu, menina em prantos a desejar-te.
Tão menina, que quase não entendia minha admirada e oculta visão.

Ouvia você, sentia, tocava.
Lembrava-te a cada instante sonhado na minha realidade.
Meu adorado sonhador,
Valente e certo de suas convicções,
Esvoaçava na longitude, na altura estonteante.
Só via, só vejo você.

Abaixo do céu dourado, o sol feito jóia,
Espalhava seus fios de ouro
Em qualquer lugar onde o olhar fitasse.
Este sol de ouro sempre me acompanhou,
Pois sua sombra me seguia.

Flor de Safiras

Você adormeceu,
E eu assistindo seu caminhar,
Leve, livre, lento... segui.
É aqui onde você se esconde?
É nesta porta,
onde anjos e suas asas de ouro adormecem?
Você é mais um?
Não, é o único.

Como será o seu nome?
Os segredos de suas madeixas,
Como será aí dentro?
Seu esconderijo é meu,
Mas você não sabe, pois até então, nem ao menos eu sabia
Que tenho a chave para seguir,
para ir ao portão profundo e prolixo do jardim,
do seu jardim das percepções.

Estava distante, pois seu andar atrapalhou-me,
Seu silêncio fez perder-me,
E eu desajeitada, tentava desvendar as pistas dos seus sonhos de prata,
Que se perdiam nos antigos caminhos de pedra
Nas estradas de ferro aonde o trem que vai para o vale das ilusões, esperava-me.
Você está lá, livre em seu ânimo,
Devaneando-se na fortaleza, na flor de safiras,
onde está a chave da volta,
Entrelaçada em suas guirlandas.

Aqui o céu gris como sua alma, está próximo
E as nuvens são como sonhos tranqüilos.
Sou como espiã da sua arte,
da sua morada do amor,
da sua palavra, é o seu silêncio.
Você aqui encanta, brilha.
Mas já é hora de voltar à rua do amor, onde você mora.
Volte é aqui onde estou.
Desperte, sacode os sonhos do cabelo minha linda e doce criança.

Sinta a suavidade do seu refúgio,
A paz como a noite que nele está,
Sinta que é só aqui o seu amparo,
Sinta meus passos incertos por somente te seguir,
Sinta a igualdade de nós,
Sinta, só sinta e depois veja...
É aqui onde você se esconde.

Morada Mórbida

Se além do portão houvesse algo,
Algo que dentro dele não há,
Existiria liberdade.
Tenho a chave do portão,
Mas não preciso abri-lo.

Se abrisse a porta
e deslizasse em um lugar invisível
porém único e que realmente existe,
Abriria a porta.

Algo cego quis levar embora nossos contos,
Nossos filmes inventados,
Nossas ruas de peles de campos
Raros e imortais.

A chuva chegou, mas a bela carruagem
Não encontrou o caminho.
A chuva bateu nas janelas e portas da casa sem fim,
Mas já tenho dito, não tem por que abri-las.
Chuva, chuva... Nada saberá antes de entrar.

Não lhe servirei o chá prometido,
Na hora combinada, inusitada.
Nunca mais verá os longos corredores
E as intermináveis portas.
Não se vier vazia, sem a carruagem,
Sem os cavalos negros, sem a madrugada.

Quebre agora as ampulhetas e as correntes,
Pois não mais suportaria
Seu vento soprando tempo e escravidão.

O cavaleiro seguiu uma estrada incerta,
Estranhamente morta, gélida e só,
E o poço que estava ao lado dela,
Escondeu-se, pois não reconheceu
O belo cavaleiro.

Não tens refúgio lá fora,
E lá a serpente vive,
Fugiu de sua morada mórbida.

Você sozinho lá fora,
As serpentes são as ruas,
Ela não está imobilizada
E de pronto o engolirá

Não espere que lhe guie,
Só lhe darei alento se quiseres,
E se quiseres, voltará,
Em sua imensidão,
Sorrindo tal como criança eterna que somos.

Mostrarei-lhe o esconderijo,
E não queira antes disso,
Caminhar pelo labirinto.

Madeira

Livros de papel envelhecido,
Mostram sua vida em guerra
Sangue e sorriso
Paz e morte
Medo
Ouça o som da noite,
Ouça o som da guerra.

O alquimista tocou sua alma,
Ouro negro.
Espiões de tiros
Agregados em máquinas
De sua pretensão

Acordem, escutem!
Nada são além de egocêntricos
Insanos em suas surdezes cegas
Nada são, nada pensam.

Com sangue escreverei as últimas palavras
Nos muros de pedras de verão
Com nostalgia,
Na cidade adormecida
Pelo medo de pensar.

Rainha das Pulsações

Os fios de ouro renderam-se no enegrecer da noite quando os cílios do dia fecharam-se, no cintilar das pálpebras, da púrpura escuridão. Inaugura os caminhos com o negro dos seus olhos. Meus passos, traços e atos encenam a insensatez dos sentidos. Fecharam-se as cortinas de veludo da ingênua lembrança, infância do anil que lhes cobria o íntimo, agora, cor da detonada vingança, explode em seu exército cor de sangue, escarlate, em reviravoltas celestiais.

Antes a cor gris do portão, ao qual tinha seu ânimo, seu prisma reluzido em forma de palavras, refletindo toda a cor da tua alma, delicada qual vestes de fadas e magos, guardiões de suas flores de safiras, seu fortim. Esqueça todo o brilho do passado. Saudações a todos, chegou o instante do fim. Esqueça seus sonhos de prata, pois cor prata será minha morada, com céus de mármore e paredes de madeira envelhecida. Esqueça seu esconderijo em mim, desta vez a cintilação afastará a alvor do dia. A insensatez não mais será vista, admirarão meu corpo de concreto, aplaudirão meu memorial e relembrarão em seu último dia.

A sentença de suas almas profanadas, em minha fornalha, no túnel de seus mundos apartados. Mas resguardem sua calma, pois "no fim do túnel sempre existe uma luz" uma luz que arde, o fogo de seus próprios umbrais, a ardência de seus sentidos, sepulcral, crucial.O veneno jorrou-se em forma de pranto e agora tudo está preparado. Eis o princípio de meu cerimonial. Evoco-os. Preciso de vossas faces e de suas veias para construir a minha veste, costurando uma a uma em meu corpo, para a cerimônia do fim.

Evoco-vos também, forças benignas, desçam dos céus seus anjos puros, mas que venham armados com adagas e punhais, pois haverá uma batalha, mesmo que a vitória já seja minha. Quero com seus punhais arrancar-lhes seus claros e encantadores olhos para construir minha coroa. E com suas adagas arrancarei-lhes seus dourados cachos de ouro, para contrastar com minha alma da noite. Então me tornarei rainha e eternos serão os espectros dos espelhos de meus olhos. Tornarei-me rainha dos suspiros de anjos e sagrados serão meus passos, na dança em brasas, feita com seus restos.

a lolita do espelho

quem é você, garotinha do espelho?
uma incógnita de cabelo vermelho...
por que tanto teimas em cantarolar
estas desertas canções de ninar?

o que lamentam seus olhos pintados de negro?
que mais parecem uma peça de drama grego
com nuances de um romantismo balzaqueano
indecisos entre o sagrado & o profano

o que fazes no corredor dos mortos?
se sabes que anda por caminhos tortos...
onde infantes do limbo profetizam em roda
o destino das novas criaturas que chegam à horda

quem é você, lolita calada?
por que sobes a ruidosa escada?
não vá, testemunha muda!
dê-me uma resposta antes que suba!

se tu és quem eu procuro
se quiseres, eu prometo & juro
que serei fiel como anjo protetor
ou como um gárgula num sepulcro, eterno guardador

só te peço que fique & me diga a que veio
e cale todas as bocas do meu receio
antes que eu leia em seu lábio rosado
o "nunca mais" que dirá com ele fechado.

[um poema antigo]

O “País das Maravilhas” de Eli Heil


“Vomitar sentimentos”. É assim que a artista plástica catarinense Eli Heil chama os ingressos criativos de sua arte. Arte essa que se mostra incrivelmente psicodélica, multicolorida e fantasiosa. Algo contraditório, levando em conta que a sua motivação para pintar e fazer esculturas surgiu do estado de profunda depressão, depois de ter ficado oito anos sofrendo por causa de bronquite asmática e de uma gravidez mental, problemas que a deixaram de cama durante cinco, desses oito anos. Suas obras retratam o seu renascimento e o nascimento, como ela costuma chamar, de filhos, que têm lugar em sua própria casa que ela transformou no museu “O mundo ovo de Eli Heil”, em Santo Antônio de Lisboa, próximo a Florianópolis.

Saltos de sapato e fitas adesivas são matérias-primas para esculturas nas mãos de Eli Heil que, aos 73 anos, preserva a poesia dos primeiros anos de trabalho, ou seja, meados da década de sessenta. E, por falar em poesia, a artista usa desse recurso literário para explicar o significado das suas produções que, apesar de às vezes abordarem temas comuns como o cristianismo, são concretizados de formas inusitadas.

Sem a ajuda do pincel (que para ela é um atrapalho), usando muita tinta e diversas cores e perfurador de couro, por exemplo, seus incontáveis acessos artísticos são – sem pudores ou censuras – imediatamente aceitos pela criadora que defende a idéia de que a arte flui de maneira natural de sua mente para as telas ou demais materiais utilizados.

Como diria João Evangelista de Andrade Filho no folheto “Os símbolos na arte de Eli Heil”, a obra dela pode até causar resistência, mas jamais desinteresse. Eli vê a tela como campo de batalha onde a honestidade do impulso não é só uma “regra”, mas uma marca registrada da artista que tem verdadeiro horror ao vazio, pois preenche todos os espaços da tela em um tipo de hipérbole anárquica. Mais uma contradição, um paradoxo, já que o exagero no caso dela diz respeito à busca de equilíbrio, ou melhor, quer encontrar a cura através do veneno.

Características que descortinam a personalidade febril e ansiosa da artista que percebe a arte de um modo bem peculiar: “A arte para mim é a expulsão dos seres contidos, doloridos, em grandes quantidades, num parto colorido. Por meio de momentos, pensamentos e depoimentos poéticos, coloco-me diante do espelho que reflete em cada pensamento, a história reduzida de minha vida pessoal e a história mais completa de minha vida artística”.

É, e esses “seres contidos” que são expulsos precisam conhecer o mundo. A histórica obra de Eli é um exemplo vivo de produção surrealista e é importante ressaltar que Eli também está viva, é catarinense e precisa de espaço em nosso estado, não somente em outros como vem acontecendo bastante. Iniciativas como a do SESC que trouxe reproduções dos seus quadros até a Unochapecó (a exposição aconteceu no ex-Laboratório de Anatomia no Bloco F) devem ser repetidas em outros locais e com outros artistas. Quem sabe, assim, ameniza-se o estigma de somente cultuar artistas que vivem em lugares longínquos – como se não houvessem bons representantes por aqui – ou que já estão mortos.


(Publicado há milhares de anos no Passe a Folha)

*poemas em tempo de espera*



Vale das Serpentes, 18 de Abril de 2007.


Iniciando com um dramalhão
Novelinha mexicana na televisão
Que cenário patético & tedioso
Que dia insípido & insosso!

Quem diria que tu terias tédio
Quem diria que te prenderiam na Torre
Teu chá com bolachas é adoçado de ódio
Tua ansiedade de ansiedade morre!

Onde está o vinho, a cerveja ou a cachaça?
Onde está a infante na rua fazendo pirraça?
Onde está o fumo, o amor de verão, a praia verde?
Descansando no falso capim a Eremita se perde?

É, e assim meu outono começa
Assim, de penitência à promessa
Vidinha familiar em doses cavalares
Sem ópio, só ócio entortando os pomares!


Humor dos Variantes, 3 de Maio de 2007.

Hey capitão, soldado ou ladrão...
Mocinho bonito do meu coração...
Me roube da Torre, se vista de amores
Arranje um cavalo, me encha de flores

Seja meu pão, seja meu vinho
Sigamos juntos um novo caminho
Seja meu... meu caminhante noturno
Seja de a pé, de All Star ou coturno!

Deixe eu ser tua... a atriz desse filme
Dos olhos castanhos, a vilã desse crime
Estar em cartaz nesse teu cinema mudo
Com ou sem cor, descobrindo o teu mundo

Escute o chamado, seque o meu pranto
Escute essa música, do vento o canto
Deixe eu ser tua flor sem mais demora
Deixe eu ser das manhãs a tua senhora!


Passos Lerdos do Norte, 4 de Maio de 2007.

Você está vindo? Quem é você?
Quem te assustou? Baby, quem pôde?
Quem foi que te fez assim tão lindo?
Você trará flores ou sonhos roubados?

Quem é você? De onde você veio?
Teu colo é deleite ou espinho?
Tens suspiros de anjos nos cabelos
Lábios gélidos de lagarto do deserto...

Nômade, histórias para contar...
Canções da antiga New Orleans
Hão de me acalmar... preciso rimar?
Me aceite, sou tua Rainha da Estrada...

Cante para mim, corra comigo, amor...
Me ame a noite inteira, case comigo!
Com tuas malas desfeitas, mistérios de verão...
Teus confins da noite, na minha alma... clarão!


Esperando o Nada, 5 de Maio de 2007.

Lembra-se do Hotel dos Confusos?
Tu esqueceu tua alma por lá...
Teu café esfriou, teu poema rasgou
Teu cigarro apagou, a garota surtou...
Você chegou... cheirando de naftalina
À gasolina... você voltou... sim, voltou!
Sob um Céu de Blues, no Sol Nascente
Teu cavalo alado tinha asas de nuvem...
Tua estrada era mais poeirenta que a morte!
Você partiu... outra vez partiu... partiu!
Fiquei com o barulho da TV , o travesseiro frio
A serpente à espreita, reluzindo nas garras
As unhas vermelhas, roídas... lembranças de bar
Sagrado ou profano, morada de vampiros...
Sugando meu whisky, secando meu vinho
Navio de Cristal... viagem astral...
Garota interrompida, perdida de dor
Me ame outra vez, me ame com ternura
Baladinhas românticas na padaria da esquina
Tudo me lembra você... mas por que???


Hotel dos Confusos, 6 de Maio de 2007.

Quando eu me for, num dia desses qualquer
Se me encontrarem num quarto de hotel barato
Numa banheira morna & surrada... dopada
Saibam que assim como Álvares de Azevedo
Fui poeta, sonhei & amei na vida... sofrida
Se lembrem que fui, por opção, um ser frustrante
Que preferiu a ilusão do que a realidade insone
Saibam que escolhi esquecer de mim mesma
A fim de não me entregar aos egoísmos & medos
Não pensem que não ouvi com atenção seus conselhos
Eu só resolvi seguir as borboletas... era o meu destino
A Louca do Tarot, diriam os entendidos... que seja
Inconseqüente, irresponsável, apaixonada pela vida
Pela morte... por seu amor inundado em silêncio
E... falando nisso, meu amor, isso é para você:
Não pense que não te amei com todas as forças
Se parti foi porque, em devaneios, tu era mais vívido
E não quis pousar em teus ombros a forte carga
De esperanças mirabolantes de alguém assim...
Tão... exagerada... mente encantada por você!

walking on the wild side

vou cortando a avenida fernando machado, rumo a estrada, enquanto ouço lou reed aos sussurros e olho as putas & os travestis nas calçadas, walking on the wild side. corto o ar e já não sei se o vento me dilacera ou eu dilacero o vento. “o que eu faria se fosse um homem de meia idade, em seu carro do ano, com dinheiro no bolso da calça, cheques e cartões?” compraria um canto desse amor barato e pestilento? quem eu seria se não fosse eu?

quem é ela? quem é ela?

para charlie, aquele que suporta minhas

“idéias mirabolantes”.


eu? eu sou como um vira-lata vagabundo, perdido no mundo, sem coleira & sem patrão. detesto falar de mim, do que tenho, de onde eu venho & pra onde eu vou. odeio me deixar conhecer ou conhecer o pai, a mãe, os amigos, o cachorro & o diabo à quatro. mas, se eu fizer algo parecido, pode ter certeza que saio mesmo do mercado das solteiras. não consigo ficar muito tempo sozinha, mas sondo a solidão com uma paixão adolescente, porque ela me remete à liberdade, ou seja, a tudo no mundo que não quero perder. tenho poucos amigos, a maioria que anda comigo é vampira, criaturas que me traem, me abandonam ou me atrapalham nos momentos cruciais. tenho & não tenho vergonha de sair fora do padrão, tenho & não tenho preconceito comigo mesma, dos meus amores estranhos, dos meus empregos malucos & daquilo que sou. pessimista romântica, sustento um mundo tão grande aqui dentro, que as palavras custam à saltar pela boca. gosto do modo silencioso... do ausente... ocupado. moro no hotel dos corações partidos. contraditória sempre, falo por eras a fio, faço pessoas rirem... palhaço triste disfarçado. se eu te quiser & você me quiser, só sei de uma coisa: será intenso, seja como for... intenso. mas se você não me quiser ou eu não te quiser, esteja preparado para verdadeiras estratégias de fuga... das de guerra, você nunca mais vai ouvir falar de mim. vivi muito, andei por muitas estradas, mas não me canso fácil. se me convidar pra rodar por um novo caminho, serei companheira & fiel. só não me venha com mentiras ou senso comum que, no mais, seremos felizes... até quando... eu não sei.


fabita - 11/09/2007

"A Casa dos Budas Ditosos"

Proibido para alguns na Unoesc Campus de Xanxerê, o livro “A Casa dos Budas Ditosos”, de João Ubaldo Ribeiro, é a dica desta edição. A obra censurada que, na opinião das bibliotecárias, não é digna de ser indicada ou emprestada aos acadêmicos, faz parte da série “Plenos Pecados”, da Editora Objetiva, que trata dos sete pecados capitais. Como não poderia deixar de ser, “A Casa dos Budas Ditosos”, lançado em 1999, corresponde à luxúria, um dos pecados mais afamados e temidos nas cidadelas do interior de Santa Catarina.
O enredo é todo baseado nas experiências sexuais de uma jovem senhora de 68 anos, cuja própria existência é duvidosa. Ela aproveita a chance e desmistifica os preceitos religiosos provindos das cavernosas entranhas da Igreja Católica, incentivando a liberação da libido, independente de quem seja o alvo: amigo(a), irmã(o), pai ou mãe. Vale a pena esquecer um pouco das noções de civilidade, como exercício de estranhamento, e compreender o teor desta obra instintiva.

Ficha técnica:

Título: “A Casa dos Budas Ditosos”
Autor: João Ubaldo Ribeiro
Série: “Plenos Pecados”
Editora: Objetiva
Ano: 1999

(Publicado no Zine Olho-da-Rua, em novembro de 2008)

Lembrança campeira

A cada amanhecer, o frio da manhã na face, o gosto do mate amargo na boca e um novo destino pela frente.

Demorou a abandonar, momentaneamente, as fotografias, os mapas das cavalgadas rascunhados, os papeis e os recortes de jornais amarelados pelos anos. Toda a sua referência está naqueles pedaços de memória, que ele não quer e não pode se desvencilhar. Nosso palco: as antigas instalações da, tão sua, Marahé Doces.
“Na Semana Farroupilha, a cultura é muito pouca. É mais o festejo. Compram uma roupa, se vestem de gaúchos e já pensam que são gaúchos. Ser gaúcho não é isso” – desvia o olhar como quem se transporta para dentro de si: “Ser gaúcho, na essência, é você se adaptar ao sistema de um povo forte, que sobreviveu (às intempéries do tempo).”
Era 28 de dezembro de 1942 quando nasceu o meu (contestador) personagem de hoje, na cidade de Erechim (RS). Amante de “O Tempo e o Vento”, de Érico Veríssimo, tanto do livro quanto da minissérie, Natal José Silvani é um dos fundadores e o segundo patrão do CTG Vaqueanos do Oeste, criado em 1979, e idealizador da 1ª Cavalgada da Integração, de 1986, e das duas seguintes.
Em cada lugar, uma sesteada. Mais de 300 quilômetros foram percorridos na primeira vez, de Chapecó a Soledade (RS), passando por mais de dez cidades, em 14 dias de viagem; a segunda, foi de Chapecó a São Miguel do Oeste e a terceira de Chapecó a Espumoso (RS). “Às vezes vejo os vídeos das cavalgadas e fico pensando: como conseguimos fazer isso, numa época tão diferente?” Antes das empreitadas, Natal pedia aos companheiros que levassem o mínimo de objetos possível, para que não lembrassem do rancho, como no gauchismo é chamada a casa.
“O gaúcho de hoje, não é o gaúcho primitivo. Descendemos de riograndenses, imigrantes de europeus. Antes, havia o gaúcho que não conhecia a lei: a lei era ele quem fazia. Não tinha fronteiras, lambrado, cerca. Um povo que surgiu do nada, que surgiu do próprio chão, como um vegetal, uma árvore, uma vida”, se reporta o senhor, conhecedor da arte de criar pássaros, que crê que a tradição, quando bem cultuada, é uma religião.
As cavalgadas tentam lembrar o que e como os antepassados viviam. A cada amanhecer, o frio da manhã na face, o gosto do mate amargo na boca e um novo destino pela frente. Nas “viajadas”, sentem a liberdade que o povo gaúcho sentia, desde o primeiro grito no escuro até o último. “Sempre digo para a minha gurizada: ‘vocês já viram o amanhecer como é lindo?’”, duvida. “Minha gente (os antepassados) faziam cavalgadas para conquistar áreas de terra; nós fazíamos isso em nome da paz. Pela confraternização do ser humano, pela cultura do Sul do país, de parte do Paraguai, do Uruguai e da Argentina.”
Apegado à cultura nativa, à raiz, à cepa, conta que, mesmo que haja uma desavença entre os gaúchos, isso não impede que tomem um mate juntos, antes de tudo. “Primeiro se toma o mate, depois se discute os problemas.” Diz que a maioria das pessoas não sabe porque usa lenço ou bombacha ou porque está fazendo a homenagem da Semana Farroupilha. “Quando tiram a roupa, já não são mais gaúchos”, observa.
Ele fez parte de um movimento, que hoje mostra os seus reflexos. As cavalgadas, que tanto cresceram, deixaram uma enorme saudade de outros tempos e trouxeram a ele muito conhecimento. “O gaúcho autêntico é aquele que irmana a vida dele em um outro ser que também gosta de tomar um mate, contar uns causos, fazer fogo de chão, sair para o campo, conhecer. A essência do gaúcho é a fraternidade, a conquista do ser humano; não com guerra ou bagunça, mas com amizade.”

“Bueno Tche!
Venho de novamente bater na porta do teu rancho,
Pra tu não ir de carancho
O patrão me deu este encargo,
Enquanto tomo um mate amargo
Na conversa de mano a mano
Sou peão lá dos Vaqueanos
Aonde se peala de cuchara
Alise bem tuas garras
De bota espora e mango
Traga a china e os piazitos
Prá dançar neste Fandango”...

(Trecho de um convite-poema escrito por Natal José Silvani, declamado durante a entrevista com o sotaque carregado e inconfundível do gaúcho)

(Publicado no Voz do Oeste em 7 e 8 de setembro de 2010)

BR-153: Na rota do Contestado


1ª PARTE

É como se não acreditasse que assim, tão perto, uma guerra tivesse acontecido. Mas o cemitério, chamado de a “Vala 21”, comprovaria que sim.

Seguimos a BR-153, sentido Irani, “lugar de grandes fazendeiros e criminosos de aluguel”, disse a minha companheira de viagem. Era feriado de sete de setembro, bom dia para conhecermos o “Cemitério do Contestado”. No caminho, paramos no “Coza Nostra” e experimentamos um pouco da cultura de nossos antepassados italianos, que procurava estar viva na arquitetura, na música, nas comidas e bebidas.
Ser saudada com uma placa indicativa de que ali já era o “Vale do Contestado”, provocou em mim uma sensação engraçada. É como se não acreditasse que assim, tão perto, uma guerra tivesse acontecido. Mas o cemitério, chamado de a “Vala 21”, comprovaria que sim.
Ali, nas sepulturas rudimentares, muitas sem identificação, jazem combatentes de uma guerra movida pela terra. Caboclos foram mortos e mataram, por não aceitarem ter suas terras arrancadas debaixo de seus pés por uma estrada de ferro. Não foram indenizados, tampouco reassentados. Uma luta denominada “Guerra do Contestado” (1912-1916), que teve o seu início em Irani, episódio conhecido como o “Combate do Irani”.
Tateando por um contador de histórias, fomos até a cidade, 4 km distante do cemitério. Depois de surpreender alguns moradores, nós, as estranhas criaturas forasteiras descobriram que havia um senhor com 94 anos, capaz de contar um pouco sobre as histórias da guerra.
A pequena casa verde de concreto guardava um dos mais antigos moradores da cidade. Joaquim José Miotto nasceu em 2 de agosto de 1916, na cidade de Sananduva (RS). Chegou de ônibus em Irani, depois de oito dias de viagem, no ano de em 1939. Veio atrás de uma herança de terra. “Irani era uma tocaiama de mato queimado. Era sertão. Tinha alguns caboclos que vieram de Soledade (RS), enviados por João Maria. Todos possuíam uma fotografia dele, levavam João Maria como um santo.” João Maria era um monge profeta, que foi sucedido mais tarde pelo monge Zé Maria.
“A ‘Guerra do Contestado’ começou porque os caboclos do mato acharam que a terra era deles. O caboclo não aceitava comprar as terras dos colonizadores. Então, os caboclos e os militares se mataram na espada”. Miotto conta que os caboclos viviam da erva-mate, atividade bastante rentável na época.
Ele comenta que em Irani, há um escritor de livros de histórias, que mora perto do “Cemitério do Contestado” e da “Mão de Cimento”, a grande mão que caracteriza a cidade. Assim, nosso rumo estava traçado e dava para a casa do escritor.

(Publicado no Voz do Oeste em 9 de setembro de 2010)

domingo, 12 de setembro de 2010